- This topic has 21 respostas, 4 utilizadores, and was last updated Há 10 years, 2 months by
NGE.
Home › Forum APK › Killifilia › Killies › Fundulus chrysotus – coloração dos machos?
-
AutorArtigos
-
11/11/2013 às 00:47 #218119
Boas pessoal!
Venho aqui perguntar uma coisa: o tenho um pequeno cardume/colónia de Fundulus chrysotus dos quais um começou a apresentar a coloraçao típica dos machos (ocelo na região opercular, listas acastanhadas ao longo do corpo, brilho verde azulado na zona abdominal, pequenas pintas vermelhas na parte anterior do corpo, enfim um bicho LINDO!) contudo tenho uma pergunta a fazer: dado que tenho uma colónia este padrão manifesta-se somente no macho dominante mantendo os demais subdominantes as cores de fêmeas ou nesta espécie não existe o conceito de macho dominante pelo que significa que é o único macho do cardume?
Cumprimentos killiófilos
12/11/2013 às 10:02 #237354Se existirem outros machos eles irão também ganhar cor.
Nos chrysotus a cor vem tarde mas fica bastante intensa e, quando o peixe passa dos dois anos, metade do peixe (a parte da cauda) é de um espantoso laranja com pintas vermelhas e a outra metade é esverdiada ou amarelada.
À luz do sol consegues distinguir os machos das fêmeas desde muito cedo: Os machos são mais claros e esbatidos, com um tom mais amarelo ou alaranjado, as fêmeas são um pouco mais escuras.
Miguel
12/11/2013 às 10:54 #237355Olá
Há ainda a possibilidade de nascerem individuos melânicos que são para mim os mais atraentes de todos os Fundulus.
Abraço
Paulo José13/11/2013 às 03:17 #237356Obrigado a ambos 🙂
De facto são exemplares lindos, de momento o único que ainda se manifestou tem um padrão que me faz lembrar os machos da Valencia letourneuxi mas com as listas e azul muito mais esbatido. Está a revelar-se um exemplar lindíssimo. Espero então para ver o que sairá mais dali e a ver se os apanho a meio da tarde com o sol a bater no aquário para ver se distingo melhor os outros exemplares 🙂Paulo, pessoalmente não acho os exemplares melânicos muito atraentes fazem-me sempre lembrar as variantes domésticas dos vivíparos que encontramos nas lojas (sei que ocorrem na natureza mas não deixa de me fazer impressão). Já vi exemplares (online) que certamente irias adorar, onde o seu melânismo é tão saturado que fazem um padrão de pequenas pintas pretas que contrastam com o fundo de cores que o Miguel referiu. Quanto à beleza do género Fundulus encontro o F. catenatus como o mais belo, seguido do F. chrysotus e do F. cingulatus, sendo que também os F. zebrinus têm a sua graça 🙂
Abraço
Nuno Janardo13/11/2013 às 10:28 #237357Provavelmente alguns dos chrysotus melanisticos serão os Fundulus mais belos. Há dois anos apanhei alguns exemplares incriveis na natureza mas este ano já não os encontrei.
Uma fêmea chrysotus melanistica:
[img width=640 height=429]http://aquatotal.com/mf/flfm2012/IMG_2650-1.JPG[/img]
Lembro-me de o ano passado ter apanhado pelo menos um macho melanistico espantoso, com o vermelho e o laranja combinado com o negro e com o madrepérola.
Mantenho apenas um exemplar melânico da população que apanhei este ano, a ver vamos se a consigo reproduzir bem: Está junta com Gambusias que são peixes altamente predadores de alevins e provavelmente terei que os separar, embora estas especies também se encontrem juntas na natureza.
Miguel
14/11/2013 às 10:50 #237358Nuno
O Fundulus catenatus só o vi uma vez ao vivo, é um dos maiores killies que existe, cerca de 20 cm, mas só tem as tais cores na altura da reprodução, no resto do ano é acizentado. É muito raro na Europa.
Os Fundulus chrysotus melânicos Myaka State Park, que era a população que eu tinha, eram de facto muito bonitos e eu estava a obter cerca de 20% de melãnicos, um holandês estava a obter bem mais do que isso. Dos Alligator Alley, população capturada pelo Miguel, não me nasceu nenhum melânico a ao Miguel tambem não.
Os F. zebrinus são para mim os segundos mais atrentes e a seguir vêm os F, julisiae.Abraço
Paulo José14/11/2013 às 15:16 #237359Miguel, nem com essa fêmea me convences da beleza dos Fundulus melânicos, não deixam de me fazer lembrar as “liberty molly” que se vêem nas lojas com as caudas em lira, barbatanas desmesuradamente grandes, enfim… fiquei mesmo com um “trauma” em relação a variantes melânicas eheheheh
Paulo, o macho que te falava era este: http://www.flickr.com/photos/debunix/2559658847/lightbox/ (não sei a população em concreto apenas diz ser originário da Flórida, mas para quem gosta dos melânicos acredito que esses sejam bastante interessantes 🙂 Os exemplares que tenho são pertencentes à população Alligator Alley que o Miguel me ofereceu e, felizmente para mim, pelos vistos não só não são melânicos como não têm produzido crias melânicas pelo que vocês relatam. Já agora, sabe-se o porquê dessa caracteristica/mutação de cor nos Fundulus chrysotus?
Sim, o Fundulus catenatus é uma pequena trutazinha, mas mesmo que seja só na época da reprodução (como os nossos F. heteroclitus) tem umas cores estupendas que compensam pelo ano inteiro 🙂
Os F. julisiae nunca consegui perceber ao certo qual a cor real deles: vou ao Google e tanto me aparecem exemplares verdes metálicos com pintas vermelhas, como uns todos cinzentos como uns que até vermelho têm nas barbatanas…enfim, ou é muito photoshop ou eles têm mudanças radicais na sua coloração ao longo do ano, o que se fôr o último caso torna-os bastante interessantes 🙂P.S.: Miguel sempre chegaste a alguma conclusão quanto à espécie de Gambusia que capturaste por lá? Lembro-me de ver um tópico noutro fórum sobre elas. E já agora, acabei de ver no National Geographic garças no sul do Texas a caçarem C. variegatus ou outra espécie semelhante (pelo menos a cor na lateral era parecida à de uma fêmea da espécie) e deu um close-up da cabeça dum Floridichthys carpio (o formato da cabeça prateada com as riscas amarelas e azuis não dava muito espaço para outras espécies 🙂 )
14/11/2013 às 17:08 #237360O factor melânico é uma coloração natural, frequente em determinadas populações selvagens e, se alguns peixes selecionados de aquário a apresentam, então, muito provavelmente, foram buscar os genes às populações selvagens.
Noutros grupos de peixes, como as Poecilia, eu considero que os machos mais bonitos são os não melânicos mas, como os melânicos são mais raros, acabei por deliberadamente trazer exemplares malhados, como resultado, aproximadamente um terço das minhas Poecilia são melânicas enquanto na natureza são menos que 1 em 100.
No caso dos Fundulus a percentagem é ainda menor.
Suspeito que os Fundulus que reproduzo, a partir de oito peixes selvagens, não têm sequer o gene mas só terei a certeza para o próximo ano, com a geração F2 que já irá juntar muitos dos genes recessivos.
Já mantive quer Fundulus julisiae quer zebrinus e ambas as especies apresentaram grandes problemas de consanguinidade, incluindo espinhas tortas e fertilidade reduzida, acabei por desistir destes peixes. Espero manter estes chrysotus sem problemas, dado que a base genética é razoável e além disso apenas uma minoria destes peixes chega a adulto, os restantes são predados: nestas condições naturais os problemas de consanguinidade são automaticamente eliminados.
Eu não espero chegar a grandes conclusões sobre as Gambusias.
São peixes visualmente muito distintos da holbrooki comum em Portugal, a tal espécie cuja manutenção é proibida, só não sei se essas diferenças são indicadoras de diferentes especies.. afinal, como eu e o Miguel Andrade constatámos aquando da nossa visita à Holanda, algumas das populações de Gambusia colectadas na Florida podem ser, de facto, affinis.
Miguel
17/11/2013 às 15:32 #237361Ou seja, o melânismo é o mesmo que os olhos azuis e cabelos loiros na espécie humana: um fenótipo com características recessivas. Por momentos pensei que fosse fruto de algum factor externo na química da água que dispultasse esta caracteristica.
Assim sendo, na próxima geração dos Fundulus crysotus também vos manterei a par do número de melânicos que surgirá ou não entre as crias.Não sabia dessa situação quanto aos F. julisiae e aos F. zebrinus. Quanto aos últimos, como comentei com alguns membros da APK, entrei em contacto com um norte-americano há coisa de um ano que os capturava, juntamente com Cyprinodon rubrofluviatilis, em estado selvagem perto da sua casa e ainda se falou em enviar exemplares adultos. Se esse factor de consaguinidade existe acho que seria interessante reintroduzir sangue novo nas populações mantidas pelos killiófilos europeus.
Interessante, obrigado pelo esclarecimento quanto às Gambusias Miguel 🙂
Nuno
18/11/2013 às 17:11 #237362entrei em contacto com um norte-americano há coisa de um ano que os capturava, juntamente com Cyprinodon rubrofluviatilis, em estado selvagem perto da sua casa e ainda se falou em enviar exemplares adultos.
Isso é mesmo muito interessante. se o conseguires convencer será mesmo muito bom.
Não sei se os peixes passariam pela alfandega… dúvido bastante, mas uns ovinhos em turfa não teriam problemas.
Miguel
19/11/2013 às 13:02 #237363Pois Miguel, foi o que me disseste que haveria a possibilidade de ficarem retidos na alfandega. Mas não sei se os ovos dos Fundulus zebrinus ou dos Cyprinodon rubrofluviatilis aguentam a turfa, contudo podem ser sempre enviados por via de tubos de ensaio com água.
Vou-lhe perguntar novamente e transmitirei por aqui a informação que me chegar 🙂
Nuno
19/11/2013 às 13:28 #237364Nuno,
Todos os ovos de killies podem ser mantidos alguns dias em turfa. É a melhor forma de os enviar.
Miguel
19/11/2013 às 13:30 #237365Além disso, a turfa pode ser simplesmente etiquetada de “Peat Sample” e não levantará problemas na alfandega,
Miguel
19/11/2013 às 14:38 #237366Nuno,
Todos os ovos de killies podem ser mantidos alguns dias em turfa. É a melhor forma de os enviar.
Miguel
A sério? Dessa não sabia, sempre pensei que a acidez da turfa estragasse os ovos de alguma forma ou assim. Realmente está-se sempre a aprender coisas novas 🙂
Sim sim, assim sendo dúvido muito que hajam problemas de qualquer espécie. Já enviei o mail a perguntar se ainda os enviava (tanto peixes como ovos, fazendo referência a possíveis problemas de alfândega em relação aos peixes pelo que os ovos seriam uma forma de contornar esse problema). Ao reler os últimos e-mails, li que também encontra perto dele Fundulus kansae, distingindo-os pelas cores das barbatanas e tamanho dos olhos. Aproveitei e perguntei logo pelas 3 espécies 🙂
Nuno
19/11/2013 às 17:01 #237367Ok, vai dando noticias.
Miguel
-
AutorArtigos
Tem de iniciar sessão para responder a este tópico.

