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nelsonfpm.
Home › Forum APK › Killifilia › Reprodução › Aphanius no Lago: Uma actualização e um mergulho
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AutorArtigos
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30/05/2011 às 00:38 #216863
Viva,
Como já tinha referido num tópico, este ano resolvi experimentar os Aphanius mento “Bor” no meu lago grande: coloquei um macho e três fêmeas em Outubro. Em Abril comecei a ver peixinhos e agora, no final de Maio, tenho o lago cheio de peixes, muitos dos machos jovens já têm cores reprodutivas. Quando aos pais… estão uns GIGANTES. Bom, têm talvez uns 6 cm, o que é considerável para um Aphanius 🙂
Um video, filmado de cima:
[youtube]gfrt-spRoic[/youtube]
E um mergulho no lago:
[youtube]rmWn-L4bkbE[/youtube]
Miguel
30/05/2011 às 10:02 #227145Miguel,
Que maravilha. Quando for grande também quero ter um lago como o teu.
Um abraço,
Luis Oliveira
30/05/2011 às 11:12 #227146Miguel
Finalmente mergulhaste e filmaste no teu lago, já estava admirado por não o teres feito antes. Espero que tenhas filmado ou venhas a filmar as outras especies que tens no lago especialmente os Gymnogeophagus gymnogenys que devem estar um espectaculo. esse lago é um mundo.
Abraço
Paulo José30/05/2011 às 12:57 #227147Olá Paulo,
De facto, filmei também o macho gymnogenys. Esta noite, se tiver tempo, coloco aqui as imagens para mostrar o tipo de companhia dos Aphanius. Curiosamente, convivem bem. Os gymnogenys são calmos e preferem alimentar-se de crustáceos e larvas no sedimento, porém, é natural que uma parte dos alevins de Aphanius também marche. Isto não é necessariamente mau:
Os pequenos Aphanius têm que fazer pela vida. Principalmente agora, com tantos peixes, os principais inimigos dos alevins serão os irmãos mais velhos. Depois, provavelmente, serão os gymnogenys e as 10 mollies selvagens (Poecilia orri) que também já lá estão, além das inevitáveis larvas de libélula e dos escaravelhos aquáticos. Os Aphanius que chegarem a adulto serão mesmo dos mais aptos.
Com uma base genética tão pequena, a criação em ambiente natural permite pelo menos não perder a vitalidade da população.
Claro que se lá colocasse também as Paratilapias só se safava uma dúzia de Aphanius… ou nem isso. Mas este ano não, o lago está entregue aos mento.
Uma curiosidade: O pH deste lago está muitíssimo alto: cerca de 9.4.
Não faço ideia porquê. Quando esvazio e encho o lago no Outono a água fica a 6.8. Depois vai aumentando. Toda aquela zona de jardim drena para o lago. Talvez seja algo no terreno – em principio não deveria subir o pH porque é argiloso.
O ano passado tinha menos: 8.4 no verão – talvez porque estava cheio de plantas, este ano as plantas ainda não começaram a estoirar.
Bom, claro que os Aphanius adoram 9.4 de pH e as orri também. Quando aos gymnogenys… talvez não seja o ideal mas não se têm queixado.
Miguel
30/05/2011 às 14:03 #227148Olá Miguel, já te dei os parabéns no FB, mas aqui fica um comentário também.
Acho que o que aí tens é o sonho de qualquer aquariofilo! Muito, mas muito bom, obrigado por partilhares.
Um abraço,
30/05/2011 às 19:55 #227149Miguel,
Que Camara usas para filmar debaixo de agua?Obg
Luis30/05/2011 às 22:00 #227150Luis,
Uso uma FUJIFILM Finepix XP15 que pedi emprestada à minha filha (é cor-de-rosa mas os peixes não se importam…)
É uma camera de gama baixa mas, como convém a uma máquina de miúdos, é anti-choque e à prova de água. Podes vê-la, por exemplo, aqui:
http://www.comwales.com/eshop/product.php?productid=137038
Filma em HD mas a imagem não é famosa. Uma parte do problema deve ser o fotógrafo… foi a primeira vez que usei esta camera. Os peixes aparecem desfocados quando estão próximos (alguns chegam a tocar na lente), acho que devia ter usado modo macro e ter selecionado uma parameterização subaquática adequada… mas fica para a próxima.
Miguel
30/05/2011 às 22:25 #227151Olá Paulo,
Aqui vai:
[youtube]8XumtM6QwH4[/youtube]
Embora na imagem não pareça, desde que está no lago, o macho tem pelo menos mais 4 cm e está muito mais colorido. As fêmeas também estão maiores mas são discretas.
Um video que fiz destes peixes há um ano atrás, ainda em aquário, poucos dias depois de terem chegado dos Estados Unidos:
[youtube]TJHpCMloB_0[/youtube]
Miguel
31/05/2011 às 11:13 #227152Miguel
Obrigado pelas imagens, o G. gymnogenys está lindo como seria de esperar, espero que em breve tenhas crias. O subir do PH é de esperar, alem da argila poder ser do tipo que o faz subir, a maior parte das argilas tem esse efeito, com a vegetação a ficar mais activa o absorver de elementos nomeadamente de dioxido de carbono pode fazer disparar o PH. Tambem como a tua agua tem à partida, se bem me lembro, um baixo GH o seu poder tampão é pequeno o que favorece a oscilação dos valores do PH.
Abraço
Paulo José10/06/2011 às 21:10 #227153Saudações a todos,…
….pH 9.4 ??? com GH baixo?? ??? Isso é muito estranho, para não dizer quase impossível sem a adição de produtos cáusticos….
Paulo corrige-me se estiver enganado, mas os “elementos” que servem de “tampão” impedem que o pH baixe e não o inverso, certo?
Quanto os G. gymnogenys “suportarem pH de 9.4 já é estranho, mais estranho fica eles estarem com “cor/forma” de reprodução…(por sinal ele está magnifico)…
Miguel será que o teu medidor de pH está certo?Um abraço, até breve
11/06/2011 às 16:12 #227154Viva,
Sim, penso que o ph esteja certo. Uso um test kit da tetra e a minha água de torneira continua a dar o valor de sempre: 6.8 – 6.9. Decididamente um valor tão elevado no lago é um mistério mas, dado que as águas do jardim drenam para o lago, talvez seja algo no terreno.
Penso que gymnogenys não terão problemas, tenho reproduzido neste lago os G. meriodionalis ao longo de vários anos. G. meriodionalis e gymnogenys provém de zonas semelhantes, até se encontram juntos na natureza.
Entretanto, tenho observado interacções muito curiosas entre os gymnogenys e os Aphanius:
Os gymnogenys estão-se a reproduzir, mas não sei se terão sucesso.
Uma fêmea a guardar os ovos:
[youtube]IHQk4fGUxc4[/youtube]
Esta filmagem foi feita à cerca de uma semana. Hoje, encontrei a segunda fêmea a guardar também ovos, noutra zona do lago:


Como se vê, estão praticamente todos fungados ou não fecundados.
Comecei a ficar com suspeitas sobre a capacidade do macho em fecundar os ovos… quando nisto vejo a fêmea de queixo descaido. A minha primeira ideia foi que já tinha colocado na boca os alevins nascidos (são incubadores bocais, não de ovos mas de alevins) e que os ovos não viáveis seriam o que restava…
Depois assisti a uma coisa incrível: a fêmea aproxima-se da superficie, fica uns instantes quieta e – zás! – engole um alevim de Aphanius!
Não acredito que o fosse comer: com aquele queixo dilatado certamente que não. Além disso, os gymnogenys não ligam aos peixes pequenos. Nunca os vi a atacar nenhum alevim: como eartheaters tipicos, passam a vida junto ao fundo, debicando o substrato.
Portanto, acho que a fêmea estava a RECOLHER alevins de Aphanius!
Não será uma tarefa muito bem sucedida, os alevins de Aphanius não estão adaptados a viverem na boca e, na melhor das hipoteses, quando a fêmea os libertar para irem comer, pisgam-se. Não têm obviamente o instinto de regressar à boca.
Já vi alevins de Bedotia viverem dentro da segurança da nuvem de alevins de Paratilapia mas esta foi a primeira vez que vi um ciclídeo meter peixes de outras especies na boca sem ser para os comer.
Só me resta esperar para ver, se não encontrar crias de gymnogenys até Agosto, vou provavelmente ter que criá-los em aquário, em pHs mais moderados e… sem alevins de Aphanius a distrairem as femeas.
De qualquer modo, este acontecimento faz-me colocar a seguinte hipotese: se as fêmeas gymnogenys metem todos os alevins que encontram na boca, então, na natureza, talvez existam outras espécies a proveitar-se disso…. quem sabe até os killies… as austrolebias encontram-se frequentemente nas mesmas regiões, embora provavelmente em biotipos diferentes.
Miguel
21/06/2011 às 00:05 #227155Miguel,
antes de mais parabéns pelos vídeos e obrigado pela partilha. Desde logo acho muito estranho esse valor de pH… com a capacidade de tampão baixa e a acumulação de matéria orgânica em decomposição que existe sempre num lago, particularmente com as populações a aumentarem, a tendência devia ser a inversa. Das duas uma, ou o teste está estragado, ou tens algo bastante cáustico a libertar para o lago… se fosse a ti verificava isso.
Quanto aos Gymnos, na ausência de alevins próprios, andarem a capturar alevins de Aphanius não estranho… a mesma experiência já foi relatada com Apistogramma sp. kelleri e Apistogramma barlowi, ambos incubadores larvares também. O facto dos ovos não se encontrarem fecundados também não é de estranhar… sendo peixes tendencialmente de águas macias e ligeiramente ácidas, esse pH deve endurecer a “casca” dos ovos impedindo a fecundação… tenho o mesmo problema com algumas espécies tremendamente acidófilas quando não consigo baixar o pH abaixo dos 5.5.
Tenho dúvidas que haja fenómenos “cuco” ou Synodontis na natureza em relação aos incubadores larvares sul-americanos… é que as posturas são, geralmente, muito superiores em quantidade às posturas dos típicos incubadores africanos, pelo que dificilmente restaria espaço para outras espécies.
Abraço.
30/06/2011 às 05:42 #227156Bom dia Ricardo,
O que sao fenómenos “cuco”?
Obrigado
Luis30/06/2011 às 11:17 #227157Luis Santos
A referência aos Synodontis e aos cucos é que existem algumas especies deste genero no lago tanganyika nomeadamente o S. multipunctatus que se reproduzem de forma parasitaria. Quando os ciclideos que guardam os ovos na boca se estão a reproduzir os S. multipunctatus intervêm rapidamente comendo os ovos dos ciclideos e pondo os seus, a fêmea ciclideo acaba por apanhar e guardar os ovos dos Synodontis. Se por acaso escaparam alguns ovos dos ciclideos e são guardados na boca da fêmea juntamente com os dos Synodontis estes ultimos como nascem antes aproveitam para os comer. Este fenomeno já foi observado em Portugal e eu obtive alguns exemplares reproduzidos desta maneira por um ciclidofilo português, preparava-me para os reproduzir quando numa vaga de calor os perdi aos 31º juntamente com os meus Lamprichthys tanganicanus reprodutores.
Abraço
Paulo José30/06/2011 às 18:20 #227158Luís,
Ainda faz pouco tempo vi este documentário na net (ajuda para a analogia):
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=4Mb0GOITRUU[/youtube]
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