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Home Forum APK Killifilia Killies O mais invulgar "killifish" que já vi…

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  • #216352

    Miguel Figueiredo
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    Viva,

    Vi-o este fim-de-semana na convenção da DKG e não resisto a partilhá-lo convosco:

    O peixe, Xenopoecilus sarasinorum, à primeira vista não parece nada de especial, até é um bocadinho feiote:

    xenpomale.jpg

    Porém, tem uma técnica reprodutiva espantosa, reparem bem nesta foto:

    xenpofem.jpg

    É isso mesmo que estão a pensar, são ovos:

    xenpoegg.jpg

    Este killie é tão, tão, tão porreiro que até nos poupa o trabalho de apanhar os ovos!

    A fêmea transporta-os com ela!

    Porém, não é um vivíparo, os ovos são transportados CÁ FORA! 🙂

    E isto é tão incrivel que, obviamente, este lote, criado por Anita Persson, ganhou o primeiro prémio do seu grupo.

    Infelizmente, acabei por não ter a chance de o licitar, era um dos últimos lotes e, dado que o número de peixes na convenção da DKG é ENORME, às 3 da tarde ainda estavamos a 2/3 do leilão…  como o avião não espera, tive mesmo que CORRER para conseguir estar hoje em Portugal.

    De qualquer modo, será um peixe que espero poder um dia manter, deve ser super interessante: Como é que a fêmea apanha os ovos? Será que os vai pondo um a um? Como é que o macho os fecunda? Quanto tempo anda a fêmea a passeá-los? O que acontece quando os alevins começarem a nadar? Será que os vai libertando a pouco e pouco ou todos de uma vez?

    Já imaginei se não seria possivel usá-los como incubadoras ambulantes,  colocando lá uns ovos de Aphyosemion 🙂

    Os Xenopoecilus são peixes asiáticos pertencentes à familia Adrianichthyidae (a mesma das Oryzias) e, segundo Huber, não são considerados formalmente killies dado que não constam na ordem dos cyprinodontiformes mas, para efeitos de hobby, são aceites como tal. Neste caso, até ganharam primeiro prémio.

    Miguel

    #223296
    José Azevedo
    José Azevedo
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    Miguel bicho estranho esse.
    Não tens mais fotos da convenção aquilo deve ser um mundo de aquários.
    Um abraço Amigo
    Zé Azevedo

    #223297
    Paulo Alves
    Paulo José Alves
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    Miguel

    Cá esse peixe não receberia nenhum premio e nem seria considerado para tal porque não é um Killie, è uma originalidade nossa. O tipo de reprodução dessa especie é similar aos Oryzias, as minhas fêmeas de O. latipes gold tambem andam já há algum tempo com ovos agarrados à barriga e claro já tenho crias. Como te lembrarás até te tinha oferecido Oryzias.
    O Xenopoecilus sarasinorum é de Sulawesi na Indonesia e a Anita Persson já os tem há algum tempo e está a reproduzi-los. Especie interessante mas sem cores, destinada ao Killiofilo/aquariofilo que já está na fase em que aprecia peixes cinzentos, portanto já sem cura…

    Abraço
    Paulo José

    #223298
    Vasco Manuel de Almeida Ribeiro Gomes
    Vasco Gomes
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    É realmente um bicho bem esquisito, à primeira vista diria que aquilo era um defeito, que a fêmea estava rota. Mas não deixa de ser interessante, apesar de particularmente feio. Pronto, lá está, não é um killie  ;D.

    Cá esse peixe não receberia nenhum premio e nem seria considerado para tal porque não é um Killie, è uma originalidade nossa.

    De facto, somos bastante originais. Somos uma associação de killies e só aceitamos killies nos nossos concursos. Ele há com cada coisa mais estranha …  😀 😀 😀

    Abraços.

    #223299
    Paulo Alves
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    Vasco

    É o que dá conhecer-te, já calculava que fosses responder ao que escrevi sobre os Xenopoecilus e não resisti.
    Não são de facto Killies mas todas as associações de killies os aceitam nas convenções e consequentemente são classificados, por uma questão de tradição, no passado eram considerados serem Killies. Nós somos os unicos que não os aceitamos a competir. Ora se não os aceitamos a competir porque não são killies então não os deviamos aceitar de todo, rejeita-los completamente. Fazer a coisa a meio porquê?
    Bom, de qualquer maneira a questão já foi decidida.

    Abraço
    Paulo José

    #223300
    Vasco Manuel de Almeida Ribeiro Gomes
    Vasco Gomes
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    Pois é, pois é, já nos conhecemos bem  ;D. Eu tinha a intenção de iniciar a provocaçãozita mas tu antecipaste-te  :D. De qualquer modo, e apesar de o assunto estar decidido como bem dizes, não faz mal nenhum debater a questão e até dá-la a conhecer a alguns sócios que não tenham conhecimento dela. Assim como assim, este fórum está a precisar de algum movimento.

    Então vamos lá! O nosso principio orientador é que somos uma associação killiófila que adoptou como referência em termos de taxonomia e nomenclatura a obra de Jean Huber, o Killi-Data. Assim, não faz obviamente sentido aceitar nos nossos concursos peixes que não são considerados killies na referida obra apesar de já terem sido considerados killies num passado distante. Esses Xenopoecilus são actualmente tão killies como os guppyes, espero que ninguém apareça por aí a defender que também esses temos de aceitar nos nossos concursos. A esses nem na exposição os aceitamos pois nem na pré-história alguma vez foram considerados killies.

    O que o nosso regulamento, que é bem explícito, diz sobre isso:

    3.3 Serão aceites na exposição todos os peixes ovíparos pertencentes à ordem dos Cyprinodontiformes.

    3.4 Poderão ser aceites na exposição espécies actualmente não incluídas em 3.3 mas que já o tenham sido no passado (ex: espécies pertencentes ao género Oryzias). Estas espécies não serão admitidas a concurso.

    Porquê aceitá-los em exposição? Porque se considera de interesse histórico mostrar os peixes aos visitantes.

    Porque não os aceitar no concurso? Naturalmente porque não são killies (só isto já basta) e porque até podem tirar prémios a verdadeiros criadores de killies (tal como agora aconteceu na Alemanha), o que é imoral.

    Outras associações aceitam-nos nos concursos? Algumas sim, duvido que todas, a maior parte nem tem regulamentos escritos. Mas mesmo que aceitassem, e se isso está mal, porquê copiar? A APK é das associações mais jovens da Europa e obviamente se tentou basear no que de melhor já se fazia. Copiámos muita coisa boa. Não copiámos o que estava (ou ainda está) mal.

    Pronto, venham de lá os argumentos contrários.

    Abraços.

    #223301
    LUIS MIGUEL SANTOS
    Luis Santos
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    Vasco,

    Bem vindo de volta ao forum

    Luis

    #223302
    Vasco Manuel de Almeida Ribeiro Gomes
    Vasco Gomes
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    ??? Esta agora, nunca me fui embora daqui!! Acho que sou até, de longe, o que tem mais actividade nesta coisa (quase 500 posts, acho eu)! Não me estarás a confundir com alguém??? O Miguel é que reapareceu passado quase um ano :D.

    Abraços e parabéns pela reportagem na DKG.

    #223303

    Miguel Figueiredo
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    Viva,

    Porque não os aceitar no concurso? Naturalmente porque não são killies (só isto já basta) e porque até podem tirar prémios a verdadeiros criadores de killies (tal como agora aconteceu na Alemanha), o que é imoral.

    Nah, não creio que a criadora em questão, a Anita Persson, tenha necessidade de tirar prémios aos “verdadeiros criadores de killies”.

    O primeiro prémio neste caso traduz provavelmente o reconhecimento pela raridade e importancia biologica do lote em questão.

    Acharmos que um peixe é interessante ou não conforme possa ser considerado ou não como killie é algo fundamentalista.

    A classificação dos peixes em killifishes é artificial, porém, dá um jeitão, porque permite praticar e divulgar um conjunto de técnicas oviparas de reprodução. Permite também divulgar uma enorme biodiversidade.

    Quanto o Vasco fala de guppies, está certamente a recordar este caracter artificial: Muitos killies são parentes muito mais próximos de vivíparos do que de outros killies.

    Posto isso, penso que deve ser mantida uma base filogenética na classificação de killies.

    Para mim, os killies são ciprinodontiformes tendencialmente oviparos – e digo “tendencialmente” porque um dia destes pode perfeitamente aparecer um Epiplatys indeciso, afinal já os existem com fecundação interna.

    Basearmo-nos simultaneamente na raiz taxonómica e na estratégia reprodutiva, permite-nos circunscrever razoavelmente bem este conjunto de peixes, evitando, por outro lado, uma enchurrada de especies adicionais, também oviparas.

    A noção de “killie” foi criada nos states em meados do século passado e tem tido grande sucesso como ramo da aquariofilia mas já passou muitas interpretações:

    Historicamente, os Oryzias já foram considerados killies, por isso aparecem ainda em convenções. Quem sabe se um dia, daqui a mais algumas reorganizações taxonómicas, não sejam encaixados na ordem dos cipronodontiformes e não regressem ao estatuto de killies.

    Também pode acontecer o contrário, pode vir a ser criada uma nova ordem: Os Aplocheilotiformes (estes são actualmente considerados uma subordem). Neste caso, os lineatus deixam de ser killies.

    Na actual interpretação, o Xenopoecilus não é um ciprinodontiforme, logo não é um killie, sem que isto lhe retire qualquer mérito ou interesse.

    Pessoalmente, estou agradecido à DKG por me ter permitido observar uma muito invulgar espécie que eu nem sabia que existia.

    Se os peixes devem ter ou não prémio, na minha óptica, é irrelevante. Nos concursos de lulus é que os prémios são o mais importante.

    No caso das convenções de killies, o que atrai alguns de nós é a enorme riqueza biológica e biodiversidade.

    Sendo, não sendo, já tenha sido ou vindo a ser um killie, o Xenopoecilus, é certamente um espectacular representante dessa riqueza biológica e biodiversidade.

    Miguel

    #223304
    LUIS MIGUEL SANTOS
    Luis Santos
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    Pois pois,…

    Mas ninguem te poe os olhos em cima…

    Nem em monsanto…

    Como está a decorrer as obras na casa de banho? ::)

    Luis

    #223305
    Vasco Manuel de Almeida Ribeiro Gomes
    Vasco Gomes
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    Olá de novo.

    Nah, não creio que a criadora em questão, a Anita Persson, tenha necessidade de tirar prémios aos “verdadeiros criadores de killies”.

    Pois, boa tentativa  :). Mas as regras (ou normas, ou leis, ou o que for) não podem ser feitas pessoalizando as questões. Uma regra não é feita para a Anita Persson ou para ti ou para mim, tem de ser para todos. Neste caso foi a Anita, reconhecidamente uma das melhores criadoras de killies que existem, mas podia ser um fulano qualquer que nunca sequer tivesse visto um killie. Em qualquer circunstância, é imoral um “não-killie” ganhar um prémio numa convenção de killifilia seja o seu criador quem for.

    O primeiro prémio neste caso traduz provavelmente o reconhecimento pela raridade e importancia biologica do lote em questão.

    Por essa ordem de ideias teriamos de dar um prémio a um casal de Ornitorrincos se estes nos fossem apresentados na convenção? Não creio.

    Acharmos que um peixe é interessante ou não conforme possa ser considerado ou não como killie é algo fundamentalista.

    Depende do contexto. Numa convenção de aquariofilia é claro que sim. Numa convenção de killifilia é evidente que não. E é disso que estamos a falar. A killifilia diz respeito aos killies, tudo o resto são divagações irrelevantes.

    A classificação dos peixes em killifishes é artificial, porém, dá um jeitão, porque permite praticar e divulgar um conjunto de técnicas oviparas de reprodução. Permite também divulgar uma enorme biodiversidade.

    Quanto o Vasco fala de guppies, está certamente a recordar este caracter artificial: Muitos killies são parentes muito mais próximos de vivíparos do que de outros killies.

    Posto isso, penso que deve ser mantida uma base filogenética na classificação de killies.

    Para mim, os killies são ciprinodontiformes tendencialmente oviparos – e digo “tendencialmente” porque um dia destes pode perfeitamente aparecer um Epiplatys indeciso, afinal já os existem com fecundação interna.

    Basearmo-nos simultaneamente na raiz taxonómica e na estratégia reprodutiva, permite-nos circunscrever razoavelmente bem este conjunto de peixes, evitando, por outro lado, uma enchurrada de especies adicionais, também oviparas.

    A noção de “killie” foi criada nos states em meados do século passado e tem tido grande sucesso como ramo da aquariofilia mas já passou muitas interpretações:

    Historicamente, os Oryzias já foram considerados killies, por isso aparecem ainda em convenções. Quem sabe se um dia, daqui a mais algumas reorganizações taxonómicas, não sejam encaixados na ordem dos cipronodontiformes e não regressem ao estatuto de killies.

    Também pode acontecer o contrário, pode vir a ser criada uma nova ordem: Os Aplocheilotiformes (estes são actualmente considerados uma subordem). Neste caso, os lineatus deixam de ser killies.

    Na actual interpretação, o Xenopoecilus não é um ciprinodontiforme, logo não é um killie, sem que isto lhe retire qualquer mérito ou interesse.

    Está tudo muito bem, a taxonomia é um assunto complexo e um mundo por onde se pode navegar. Eu não sou ictiólogo e, por isso, não tenho quaisquer pretensões em definir o que quer que seja nessa área. O que me interessa definir é o que se passa na Associação Portuguesa de Killifilia. E a APK, como qualquer organização de qualquer tipo, tem de ter as suas referências ou estará perdida. A nossa responsabilidade foi a de encontrar uma referência credível e (quase) universalmente aceite. Essa referência foi, e é, o Killi-Data de Jean Huber. É essa que temos de seguir para sermos coerentes. Até poderemos mudar a referência no futuro, que poderá ser o Miguel Figueiredo se publicar as suas teorias e elas tiverem aceitação universal, mas até lá temos de seguir a que adoptámos. Mais uma vez, tudo o resto é irrelevante para o assunto em debate.

    Pessoalmente, estou agradecido à DKG por me ter permitido observar uma muito invulgar espécie que eu nem sabia que existia.

    A APK também te permitirá observar essa espécie se ela nos for apresentada. Vê o ponto 3.4 do nosso regulamento das convenções. Mas, pelos vistos, o Paulo acha que não lhe podendo ser dado prémio na nossa convenção (porque não é um killie, repito) então também não deveria ser permitido que estivesse em exposição. Claro que não partilho dessa opinião.

    Se os peixes devem ter ou não prémio, na minha óptica, é irrelevante. Nos concursos de lulus é que os prémios são o mais importante.

    É a tua óptica que, por acaso, até coincide com a minha. Mas vai lá dizer isso a muitos dos que apresentam os seus lotes nas convenções. Por isso, os regulamentos têm de ser feitos a pensar em todos, não apenas em nós os dois. E, para quem os prémios são importantes (o que é legítimo), é fundamental definir que só killies podem ganhar prémios numa convenção de killies. É simples, não é?

    Sendo, não sendo, já tenha sido ou vindo a ser um killie, o Xenopoecilus, é certamente um espectacular representante dessa riqueza biológica e biodiversidade.

    Disso não há dúvidas apesar de, como já antes disse, ser particularmente feio. Mas, como também já disse, esse aspecto também é irrelevante na discussão sobre se pode ou não ganhar um prémio numa convenção APK  :).

    Abraços.

    #223306
    Luís Oliveira
    Luis Oliveira
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    Viva,

    É por isto que gosto tanto da APK.
    Aqui podemos ver uma saudável discussão em desenvolvimento, sem ofensas e mal entendidos.
    Cada um é livre de defender os seus pontos de vista, mesmo que outros achem que estão errados.

    É por isto que gosto tanto da APK.
    Por sermos uma Associação que se rege por regulamentos internos, seguindo uma referência a nível internacional que é o Prof. Jean Huber.

    Outros não fazem como nós. E então? Estarão eles certos e nós forçosamente errados?

    É tempo de assumirmos que também temos capacidade de influenciar. É tempo de reconhecermos o nosso valor enquanto Associação Killiófila, cada vez mais reconhecida como um exemplo a seguir.

    E mais uma vez o digo. Todos temos que ter orgulho em fazer parte desta Associação e em contribuir para o desenvolvimento do projecto inerente à própria APK. Sempre.

    Um abraço,

    Luis Oliveira

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