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Miguel Figueiredo.
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25/09/2013 às 08:09 #218068
segue o link para a descrição
abraço
25/09/2013 às 09:44 #237159Mais uma espécie do Gabão.
Existe um motivo principal para que tantas espécies tenham esta origem em detrimento de regiões limítrofes e muito mais vastas, como o Congo ou mesmo Angola (Cabinda fica a menos de 200 km do Gabão).
Esse motivo é a acessibilidade.
Portanto é de prever que ainda haverá um bom número de espécies por descrever, à espera que certas regiões se tornarem mais acessíveis.
Eu apostaria sobretudo na Républica Democrática do Congo que tem a maior mancha de floresta equatorial em África: mais de duas vezes a mancha de floresta do Gabão e dos Camarões juntas! Aquela região estará certamente a transbordar de Aphyosemions mas é extremamente remota, com poucos acessos e cheia de grupos armados, além dos perigos naturais que incluiem a malária, o ébola e a terrível mosca Tsé-Tsé.
Miguel
30/09/2013 às 10:00 #237160Miguel
A concentração de especies tem a ver com o epicentro de distribuição de cada genero em que cada um tem uma area geografica especifica onde essa concentração é maior e o numero de especies vai diminuindo conforme nos vamos afastando dessa area. O genero Nothobranchius temn o seu epicentro na Tanzânia, mais ou menos, com uma data de especies, conforme vamos para os paises limitrofes o numero de especies vai decaindo assim como a sua variabilidade cromatica e morfologica. No Tchad já só tens uma especie e na Africa do Sul duas precisamente porque estão no limite geografico de distribuição do genero. O mesmo para os Aphyosemion, o Gabão aparentemente é o centro de convenções do genero, tem muitas especies uma grande variabilidade, saimos desse país e lentamente o numero decresce. A Republica Democratica do Congo é pobre em variabilidade dentro de genero, tem sobretudo especies do grupo elegans, areas enermes onde só há isso, precisamente por ser longe do centro de distribuição do genero. É nas areas mais proximas, perto das fronteiras dos outros paises onde se encontram outros grupos, nomeadamente do Labarrei e Radaella.Claro que continua de qualquer modo a ser um pais interessante para prospecção.
Abraço
Paulo José30/09/2013 às 13:51 #237161Sim, a abundancia de Aphyosemions segue de perto a floresta equatorial:

Porém, tal como referes, o interior congolês parece apresentar menos espécies que as zonas costeiras, conhecendo-se a distribuição de grupos como o elegans, de forma muito geral:

Repara que no extremo norte há simplesmente uma interrogação…
É perfeitamente possível que esta diferença na biodiversidade ocorra porque as zonas húmidas costeiras facilitam a propagação das espécies e, além disso, porque estes habitats sejam mais resilientes ao longo dos milénios. Contudo, pelo menos em parte, existe aqui também o efeito do observador sobre o que é observado:
O Gabão é um destino favorito de expedições de killies há décadas, porque é seguro e acessível. Também acessíveis e razoavelmente seguros são os Camarões. Já a Guiné Equatorial não é nem segura nem acessível mas, apesar disso, tem sido um destino frequente dos nuestros hermanos, devido às afinidades culturais.
O Congo, por outro lado, é um território muitíssimo mais vasto, dificil de explorar e que tem estado em guerra nas últimas décadas. O seu interior norte é um dos locais de mais difícil acesso do mundo e também um dos mais perigosos.
Por esse motivo, será certamente um local com coisas interessanes a descobrir… uma verdadeira Meca para pessoal corajoso, do género de Holger Hengstler que já tem experiencia no território.
(Eu não punha lá os pés nem que me pagassem 🙂 ).
O que me parece ser interessante nas expedições que têm percorrido o Congo é a presença de especies bem mais a sul, próximo da fronteira e por vezes na bacia hidrográfica de rios que vêm ou partem para território angolano.
Ora estas espécies estão claramente já distantes da zona chuvosa equatorial, então porque é que ali se encontram? Uma razão será o clima que continua a ser muito húmido, até há alguns milhares de anos atrás, esta era ainda uma zona de grandes florestas.
É plausível que alguns Aphyosemions ocorram numa zona ainda menos explorada que o Congo: o interior norte de Angola (e não me refiro a Cabinda que, como sabemos, tem pelo menos uma espécie).
Esta será também uma zona interessante de explorar… se não se situasse num dos paises mais caros do mundo e que também não é propriamente seguro.
Miguel
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