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Home Forum APK Killifilia Killies Exemplares "Gold" dentro de ninhada com população – criar ou não criar?

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  • #218313

    Nuno Janardo
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    Boas,

    Venho aqui fazer uma pergunta de ética kiliófila. De um ninhada de Aphyosemion australe BSWG 97/24 “Cap Estérias” nasceram-me 2 machos com a coloração dourada, ou seja Gold, porém pertencentes a esta população. A questão que coloco é se eles devem ou não ser criados com fêmeas da mesma ninhada (todas elas têm coloração “normal” facto curioso), uma vez que não são fruto de selecção artificial mas sim de mera mutação de coloração dentro de uma população?

    Abraço,

    Nuno

    #238586
    Paulo Alves
    Paulo José Alves
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    Nuno

    No fundo a questão não é de etica. Os chamados “Gold”, que não são gold são na realidade laranja, surgiram de A. australe da zona de Cap Esterias e foram fixados por um killiofilo alemão de nome Hjerresen noa fim dos anos 40. O interessante é que ainda hoje continuam a aparecer espontaneamente exemplares com essa coloração de populações selvagens da zona. Até já apareceram individuos “spotless”, gold”, sem nenhuma marca melânica.
    Digo que a questão não é de etica porque não fizeste nada de errado. Surgiram peixes de uma coloração diferente da dos pais, algo um pouco mais comum do que aquilo que se pensa, podes perfeitamente cruza-los com os irmãos, nada de mal nisso. Há uma tendência para os criadores de peixes mais empenhados e há mais tempo no hobby terem posições mais puristas e até intransigentes o que acho ser um erro. Nas associações de killies a regra é aceitar as mutações de cor, assim veem-se gold e albinos em varias especies. É uma atitude sabia e equilibrada. Creio que o exagero seria por exemplo aceitar exemplares “balloon” ou “HiFin” por exemplo. É uma questão de delimitar equilibradamente os limites do aceitavel.

    Abraço
    Paulo José

    #238587

    Nuno Janardo
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    Paulo,

    Obrigado pelo esclarecimento. Eu apenas a chamei de questão de ética no sentido da ética kiliófila onde se procura dar a primazia à manutenção de exemplares devidamente catalogados e que possuem as características típicas dos exemplares selvagens, mas partilho a tua opinião quanto à postura que se deve ter face a estas situações. Realmente a aceitação de estirpes onde se procura um apuramento de uma característica morfológica como barbatanas extra longas ou deformidades físicas dista bastante do que seria de se considerar aceitável, achando eu que esse tipo de desenvolvimento de “fancy killifishes” caí na mesma caixa que o de hibridizar espécies distintas com a finalidade de se obter uma variante esteticamente tida como bela, desprezando quaisquer valores de proteccionismo da espécie.

    Abraço,

    Nuno

    #238588
    Maria João Mourato
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    Não tentando apurar nenhuma das variantes. Porque é que o descorado tem direito a parecer e o barbatanudo não?

    #238589
    Paulo Alves
    Paulo José Alves
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    Olá

    É tudo uma questão de opinião. As selecções fisiologicas afectam o proprio corpo do peixe enquanto a cor é a penas a “tinta” com que o corpo do peixe foi revestido. Nada tenho contra as selecções de cor, há quem tenha, nos Discus e nos escalares até prefiro as selecções às estirpes selvagens.

    Abraço
    Paulo José

    #238590
    Luís Oliveira
    Luis Oliveira
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    Olá,

    Concordo com a Maria João. Qual a diferença?

    Há sempre o direito alienável das pessoas terem e poderem defender as suas opiniões. Sem fundamentalismos.
    Daí eu manter apenas as variações que sobreviveriam através de uma selecção natural no seu habitat. As variedades “Gold” sobreviveriam? Duvido. Daí a minha opção. Como disse, sem fundamentalismos.

    Paulo, essa de “apenas a tinta” nem me parece vinda de ti!!

    Abraço,

    Luís Oliveira

    #238591

    Nuno Janardo
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    Olá,

    Maria João, postas estas premissas acho que realmente a problemática só se levantaria se houvesse interesse em apurar uma características morfológicas, por exemplo, imaginando que numa ninhada de Fundulopanchax nigerianus “Misaje” haveriam alguns exemplares que nasciam com as barbatanas mais longas que outros, se fizesse livre criação entre os que têm as mais longas por mera mutação genética com os de barbatanas “normais” estaríamos, em certa medida, a simular o que aconteceria na natureza caso algum dos exemplares com barbatanas mais longas alcançassem a maturidade sexual e chegassem a acasalar. Como é claro, as crias nasceriam portadoras desse gene, porém dado que a população tendencialmente não o teria seria um gene recessivo que sem o cuidado para o preservar apareceria esporadicamente em futuras gerações de exemplares dessa população, sempre com uma percentagem de incidência relativamente baixa. Acho que o mesmo se poderia dizer dos exemplares de coloração “Gold” que me nasceram da ninhada de A. australe BSWG 97/24 “Cap Estérias”, sendo que num grupo de 30-40 crias apareceram apenas 3 exemplares, pelo que não posso dizer que seja um gene dominante, apenas tive uma quantidade suficiente de crias para que o gene se manifestasse em mais que uma. Lá está, remete-se para a situação de um gene recessivo latente numa população.

    Luís, uma vez que se trata de uma ninhada com população poderíamos até usar isso em nosso favor na questão que levantas da capacidade de sobrevivência dos exemplares “Gold” dentro de uma população, uma vez que se poderia questionar quem os colectou se no local de captura efetivamente verificaram a existência de exemplares adultos com esta coloração ou não, tirando por completo a dúvida da capacidade de sobrevivência de exemplares com esta característica nesta população em concreto. A título de curiosidade, fui procurar um pouco mais sobre a população em questão, chegando a uma pequena listagem de espécies simpatricas com os A. australe lá encontrados (http://www.aka.org/wak/Code_Library/BSWG97.htm) sendo que além desta espécie de Aphyosemion verificou-se a ocorrência de Epiplatys singa e um citarinideo (o Neolebias ansorgii), sendo que não se registam predadores (pelo menos a nível de espécies piscícolas) passiveis de predarem Aphyosemion australe adultos (porém não sei se um E. singa adulto tem dimensão para comer um A. australe com uns 3cm – tamanho em que se consegue distinguir claramente esta coloração dos demais – o que já deixa margem de manobra para predação ativa entre espécies piscicolas adultas). Por comparação, na mesma listagem de espécies, se atenderem ao local de colecta anterior verão que os A. striatum compartilham o espaço aquático com uma espécie de ciclideo de dimensões médias, tornando provável o cenário de haverem Hemichromis a predarem regularmente A. striatum. Eu sei que não estou a considerar outras espécies de predadores que possam existir como larvas de insectos, girinos, aves, répteis, etc, porém o que quero dizer é que no que toca à predação de exemplares adultos, onde a diferença cromática se manifesta mais acentuadamente, é inferior do que noutro local onde além das espécies não piscícolas tem também alguma espécie piscícola que se inclua na lista de predadores. Contudo, atendendo que falamos sempre de exemplares com população, só poderíamos ter 100% de certezas que os exemplares com esta mutação de cor não sobrevivem em estado selvagem até à idade adulta nesta população em concreto se as pessoas que os colectaram nos pudessem confirmar tal facto. Aqui eu acho que o facto de haver população desempenha um papel extremamente interessante num caso como este 🙂

    Abraço,

    Nuno

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