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  • #236087

    Miguel Figueiredo
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    Se não ficou óbvio, misturar várias espécies de killies no mesmo espaço vem sempre com este aviso:

    Não tente fazer isto lá em casa.
    (A não ser que saiba muito bem o que está a fazer.)

    Posto isto, experiencias de manutenção conjunta de espécies simpátricas ou simplesmente de espécies que não se cruzam, são tópicos avançados, algo que um criador experiente de killies fará em circunstancias bem determinadas e quando um conjunto de condições estiverem cumpridas.

    Como o Castro muito bem disse, manter espécies juntas, mesmo que garantidamente não se cruzem, complica alguns dos habituais procedimentos killiófilos:

    – Não conseguimos distinguir os ovos com 100% de certeza, mesmo entre espécies que põem ovos grandes e outras que põem ovos pequenos, poderá sempre haver variações pontuais.

     Portanto não poderemos enviar ovos de uma dada espécie para alguém que a procure.

    – Muitas vezes, não conseguiremos distinguir os alevins, e, como tal, também não os podemos distribuir.

    – Se as fêmeas forem muito parecidas então, mesmo nos adultos, vai ser dificil identificar a espécie da fêmea e até coisas simples, como enviar um casal para uma convenção, podem dar origem a erros.

    Em resumo, para uma criação normal em killifilia, manter uma espécie por aquário é o procedimento mais frequente, o mais simples e o mais prático.

    Outras manutenções são possiveis, incluindo aquários de biótipo, com várias espécies simpátricas mas serão setups menos comuns, exigem alguma experiencia e têm objetivos mais específicos.

    Por mim, cheguei a ter quatro ou cinco espécies de killies no mesmo lago de jardim, de espécies muito distintas e com um objectivo específico:

    A manutenção e criação em ambiente natural, incluindo predadores, onde menos de 5% dos alevins chegam a adultos, por oposição à criação intensiva em aquário onde mais de 90% o fazem.

    Escusado será dizer que não há killie deformado ou com fraca vitalidade que sobreviva num lago cheio de predadores, incluindo larvas de libelinha, rãs, tritões, ciclideos, etc. É a melhor forma de manter estirpes fortes e saudáveis. Por vezes até saudáveis demais, tornando-se numa praga.

    Tenho apenas que saber o que estou a fazer, recorrendo a espécies de killies adaptadas a coexistir e a competir com outros peixes, em vez de anuais ou de espécies de pequenos riachos.

    Miguel

    #236088
    Filipe Torre
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    Boa tarde!
    Concordo em absoluto com o Luis Oliveira e com o Miguel Figueiredo. O melhor é manter as coisas o mais simples possível. Há coisas que killiófilos avançados podem fazer mas que não são fazíveis por killiófilos iniciantes ou menos experientes. A paciência é uma virtude intrínseca a quem aspire a ser um bom killiófilo.
    Cumprimentos!
    Filipe Torre

    #236089

    Marco Nelson
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    registrado….  😉

    #236090
    Alberto Reis
    Alberto Reis
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    Compreendo as palavras do Luís Oliveira e do Miguel Figueiredo, que só li agora. Julgo ter sido mal interpretado. Quando escrevo que já coloquei no mesmo aquário killies que viviam juntos na mesma poça na natureza não estou a violar os princípios de ouro da killifilia que subscrevo. Eu próprio os pesquei e sei que não hibridam. E os descendentes continuaram a ser nigripinnis e bellottii da mesma população. E responsabilizo-me por isso. Mas não aconselhei a misturar killies pois obviamente é uma arma muito perigosa e de imprevisíveis consequências. Sei que em situações muito excepcionais poder-se-á ter 1 espécie de Aphyosemion, 1 espécie de Epiplatys e uma espécie de Procatopus no mesmo aquário. São tão biologicamente afastados que não há perigo de hibridação. É o que acontece nos diversos locais de colheita nos Camarões, onde uma espécie de cada um destes géneros co-habita em simpatria com as restantes, como relatado por diversos exploradores como P. Lambert, J.F-Àgnese e Olivier Buisson, entre outros. Cada um com nicho ecológico diferente.
    Mas é algo que só muitos anos de experiência e leitura/estudo podem dar segurança a fazer. Precisamente para não haver disparates e falta de rigor.
    Limitei-me a transmitir e partilhar a minha experiência, que julgo que deveria ser uma das funções e utilidades do fórum. Sem fundamentalismos. Nada mais do que isso.
    Saudações killifilistas
    Alberto

    #236091
    Luís Oliveira
    Luis Oliveira
    Administrador
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    Olá Alberto,

    Também eu não gosto de fundamentalismos e por acaso também gosto de tudo com muita transparência.
    Leste o tópico passados seis meses e acho que o deverias ler de novo. Cito algumas frases minhas:

    …O que quero lembrar é que as informações aqui colocadas servem muitas vezes como princípios orientadores a quem se inicia na killifilia.

    …Há membros da APK com renome killiófilo internacional que funcionam com líderes de opinião. O que lhes trás uma responsabilidade acrescida, sobretudo se entendermos o fórum como um meio de formação para os killiófilos mais novos.

    Daí eu pensar que o fórum é um excelente meio de formação. Sem dúvida que poderia ter outro peso se alguns sócios com responsabilidade interviessem mais.

    Concretamente estou a falar da utilização de mais de uma espécie por aquário. É possível, é verdade que é possível, mas as consequências? Até tremo só de pensar na sua banalização.

    Outra situação preocupante é o perigo da banalização dos nomes, esquecendo-se populações e códigos de coleta e até mesmo do nome da espécie. É fácil esquecer/perder os dados recebidos e é fácil entregar um casal dizendo simplesmente que é um striatum, por exemplo.

    É por isso que eu peço a todos os que escrevem que não se esqueçam de aplicar uma atitude pedagógica. Ok, eu faço assim, existe esta vantagem, mas também existe este risco e este perigo!

    Não vejo aqui nenhum fundamentalismo, nem vejo como te interpretei mal. O que me parece que pretendi transmitir foi mais uma vez uma atitude pedagógica, tanto para killiófilos experientes, como para os iniciados. Tal como se pretende deste fórum, com muita transparência, sem picardias e sem influência de ninguém.

    Abraço,

    Luis Oliveira

    #236092

    Miguel Figueiredo
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    Por mim, tenho de momento algumas espécies juntas em aquário. Por necessidade, estou com falta de espaço, preciso de montar aquários mas o tempo tem sido pouco.

    É um problema. Não que alguma vez as espécies que juntei hibridizem. Um Cyprinodon variegatus hibridiza mais facilmente com uma girafa do que com um Pachypanchax sakaramii, o aborrecido é não conhecer a paternidade dos ovos, não sei exatamente quem está a pôr nem quanto. Tudo o que tenho são OVNIs (Ovos Viáveis Não Identificados) e de vez em quando lá nasce um alevim alienigena que, tendo as espécies provavelmente taxas de crescimento diferentes, acabará a ser comido nas próximas semanas ou a comer os outros. É um aborrecimento.

    Por outro lado, funciona bastante bem a manutenção conjunta de killies e viviparos. Sabe-se sempre de quem são os ovos, claro, os viviparos costumam deixar os mops em paz e, como geralmente são mais descontraidos, contribuem para que alguns killies fiquem mais à vontade e andem menos escondidos.

    Miguel

    #236093

    Nuno Janardo
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    Eu tenho de momento um grande comunitário de killies e sei que eles não irão hibridizar por 3 motivos:
    1º – as três espécies são de géneros e familias diferentes como tal a sua hibridização é teórica e práticamente impossível (tratam-se de Aphyosemion, Jordanella e Fundulus);
    2º – duas delas (Jordanella e Fundulus) são da mesma população e ocupam nichos diferentes, sendo isso francamente visivel no seu comportamento: as Jordas comportam-se como autênticos ciclideos esquadrinhando o fundo do aquário em busca de algas e detritos enquanto os Fundulus nadam ferneticamente pela coluna de água como se fossem sardinhas só abordando o fundo quando caí alguma comida congelada)
    3º – para obter ovos retiro um casal ou trio que ache em melhores condições de reprodução no momento para um tanque à parte de modo a ter maior controlo sobre os ovos e descendência, eleminando assim problemas de comptição pelo alimento devido as diferenças de velocidade de crescimento, comportamento, etc. Assim qualquer cria que nasça no aquário comunitário terá que passar por um nível de competição e predação tão elevado, dado que se trata de um aquário e não algo tão volumoso como um lago, que torna a taxa de sobrevivencia baixíssima como referiu o Miguel.

    No fundo, acho que mesmo para o jovem killiófilo espécies simpátricas desde que apresentem características que as tornem práticamente impossíveis de hibridizar são totalmente passiveis de se manter em conjunto, e por essas caracteristicas refiro-me a morfologia, comportamento e, em certa medida, filogenia, por exemplo: duas espécies da mesma família podem ser mantidas (exº: Aphyosemion australe e Epiplatys singa) pois apresentam caracteristicas morfologicas diferentes e estão biológicamente afastadas o suficiente para tal, contudo para estar 100% seguro apostaria em espécies agrupadas em géneros e famílias distintas para o máximo de afastamento biológico.

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