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Home Forum APK Killifilia Killies Australofundulus lackmusia – o puro killi australiano

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  • #218409

    Nuno Janardo
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    Boas,

    Olá pessoal e antes que caiam em cima de mim, sim eu sei que não existem killis nativos da Austrália…pelo menos cientificamente descritos. Porém cai sobre esta tradução de um artigo alemão e vim cá deixar o meu contributo:
    http://killifishaustralia.forumcircle.com/viewtopic.php?p=1364
    http://www.killi.org/viewtopic.php?f=1&t=6397 (presumo que fale um pouco sobre isto)
    http://www.aquariumlife.com.au/showthread.php/512-Let-s-see-Your-Killies!/page3
    Não é muito, mas pessoalmente acho que há alguma plausibilidade nesta história se atendermos ao facto de:
    – a Austrália já ter pertencido ao Gondowana, supercontinente de onde todos os continentes onde atualmente existem killis anuais se separaram;
    – é uma continente com umas caracteristicas de deserto próprias: chuvas inconstantes e intensas e uma curta duração das poças de água que lhes seguem;
    – se considerarmos o facto de existir uma espécie de killi cujos ovos aguentam uma diapausa de 30 anos (o Pronothobranchius kiyawensis) podemos pensar que o mesmo se passa na Austrália, onde também existe uma espécie de peixe (Lepidogalaxias salamandroides) com um comportamento semelhante ao dos killis só que em vez de deixar os ovos na turfa, os adultos escavam um buraco na turfa onde passam o tempo em que as poças onde vivem secam e aproveitam quando chegam as chuvadas para sairem e  (reparem como as coisas estranhas não ficam por aqui) fertilizarem internamente os ovos sendo posteriormente desovados de onde eclodem rapidamente as crias que têm um ritmo aceleradissimo de crescimento para se entocarem como os pais antes que o charco seque (e curiosamente tem uma condição taxonómica até hoje contestada);
    – adicionalmente, se este último reduto de cyprinodontiformes estiver apenas à espera que alguém a vá explorar e ver se realmente existe pode acontecer que a descubram no local mais inóspito que se possa imaginar;

    Deixo a ideia para debate  😉

    Abraço,

    Nuno

    #239056
    Paulo Alves
    Paulo José Alves
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    Olá

    O assunto é interessante e há um constante fluxo de peixes não identificados trazidos por aquariofilos de muitas areas do mundo. Não identificados até alguem os identificar. Neste caso não temos a minima ideia do que é que se está a falar, seria necessario uma foto. Biogeograficamente não há noticia de killies na Australasia. Na parte Indonesia que já faz parte desta area foram introduzidos Aplocheilus, nomeadamente em Irian Jaya, a parte Indonesia da ilha da Nova Guiné, mas trata-se de uma introdução.

    Abraço
    Paulo José

    #239057

    Nuno Janardo
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    Boas Paulo,

    Ao nível de introduções sim, os Aplocheilus panchax são os mais difundidos na região da Austrolásia, havendo pontuais introduçõs de Aplocheilus lineatus ou mesmo estes podem ser A. panchax mal indentificados. Já na própria Austrália temos a Jordanella floridae introduzida no Queensland, porém esta não se enquadra dentro da descrição pois a sua coloração não varia entre o rosa e o azul (entre o vermelho rosado e o verde sim, mas azul mesmo é puxar um bocado), já para não falar de que as fêmeas de Jordanella têm uma distinta pinta negra no corpo e na dorsal bem como brilhos metálicos no corpo, algo que o espécimen que referem nao possuia sedo totalmente cinzento.
    Em termos biogeográficos comparando com a situação geológica de ambos os espaços, ao olhar-se para a fauna nativa da Indonésia e para a da Austrália, vemos e sabemos claramente que a origem da fauna ictiológica da Indonésia é fruto de migração do Ásia quando as ilhas e continente estiveram ou ligadas entre si ou mais próximos entre eras glaciares após o surgimento vulcânico destas. Já a Austrália, partilha muitas caracteristicas da fauna dulceaquicola do Gondowana: os galaxideos existem tambem na Nova Zelândia, América do Sul e África, os melanotaenideos e pseudomugilideos partilham mais próximidade genética com bedotideos e com os telmatherinideos do que com outros aterinideos, etc. Pelo que acho que o facto de ambos terem partilhado um continente tanto tempo, permitiu que no interior árido da Austrália houvessem redutos de cyprinodontiformes, porém convém lembrar em que altura se separou a Austrália da Antartida e esta por sua vez da América do Sul, pois em termos de filogenia, os cyprinodontiformes divergem do beloniformes há 50 milhões de anos, a Austrália-Nova Guiné começam a divergir há 55 milhões de anos, dando-se a total separação, via Tazmania ha 45 milhões de anos (espaço de 10 milhoes de anos), já a América do Sul foi só há 35 milhoes de anos, pelo que temos uma janela de 5-10 m.a. em que a Australia esteve ligada à Antartida e por onde podem ter ido parar cyprinodontiformes. Ou seja, geologicamente e filogeneticamente falando é plausivel. Agora se há fósseis de cyprinodontiformes no sul da America do Sul, na Antártida e no sul da Austrália-Tazmania, isso é algo a ver para atestar 100% a plausibilidade da existencia e uma eventual proliferação de cyprinodontiformes na Austrália, onde, por razões de seca levou a que estes tivessem desvantagens.

    Fica mais uma ideia 😉

    Abraço

    Nuno

    #239058
    Filipe Torre
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    Olá!

    se considerarmos o facto de existir uma espécie de killi cujos ovos aguentam uma diapausa de 30 anos (o Pronothobranchius kiyawensis)

    Aguentam 30 anos em condições controladas (sacos de plástico fechados e mantidos em casa com humidade e temperatura constantes), na natureza duvido muito que aguentem 30 anos a seco, o mais certo é serem espezinhados e/ou desenterrados.

    Quanto ao ser possível existirem killies na Austrália, estou ansiosamente à espera que os descubram.

    Abraço!

    #239059

    Nuno Janardo
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    Boas,

    Sim Felipe, está certo que as condições podem ser controladas mas o potencial está lá, ou seja, biologicamente sabe-se que pode acontecer.  A probabilidade de isso acontecer? Baixa, pelas razões que enunciaste.
    Agora olha bem para o cenário australiano, por exemplo o outback na zona desértica deste. Pulviosidade lá é baixíssima, não existem animais de grande porte para espezinhar os ovos, eventualmente estes podem ser desenterrados mas pronto nada que os P. kiyawensis ou os Nothobranchius do Kruger Park não estejam habituados. Não digo que seja necessário que aguentem 30 anos, mas que aguentem uma diapausa vá de 3-4anos, seria o suficiente para que buscas nos 2 ou 3 anos seguintes resultassem infrutiferas. Pegando ainda noutro cenário, o da Tazmania ou a região de Victoria, clima temperado, uma boa pulviosidade, e basta que não tenham sido alvitradas hipoteses de lá existirem, cocktail perfeito para que um killi passe desapercebido ou seja mal identificado por um galaxídeo (são semelhantes aos rivulus ou fundulus quando vistos de relance, basta que não estejam à procura de cyprinodontiformes e pronto, não há killis por lá).
    Enfim, bom bom era ou ouvir alguém da Austrália com relatos ou que tenha feito alguma expedição dentro do país ou entao que alguém la fosse para os averiguar (aceito patrocinios para uma expedição eheheheh)

    Abraço

    Nuno

    #239060
    Filipe Torre
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    Olá!

    Enfim, bom bom era ou ouvir alguém da Austrália com relatos ou que tenha feito alguma expedição dentro do país ou entao que alguém la fosse para os averiguar (aceito patrocinios para uma expedição eheheheh)

    Conheço dois australianos que calcorrearam aquilo quase tudo, inclusive algumas partes do outback (para dar conta daquilo tudo nem uma vida chegava). Além de colectarem killies eram pescadores de “big game” nos rios.  Enviei-lhes várias vezes ovos de killies e um deles chegou a ter problemas sérios com as autoridades australianas à conta disso. Enviaram-me algumas vezes ovos de Pseudomugil colectados por eles.

    Se eu estivesse na Austrália era provável que fizesse viagens de colecta muitas vezes, estando na Europa acho que no mínimo é uma loucura viajar para um país com dimensão continental e esperar colectar killies, até porque como disse, conheço dois tipos com dezenas de viagens feitas e que de killies só viram os que tinham nos aquários.

    É possível existirem killies na Austrália? É, da mesma forma que também é possível que nunca os encontrem.

    Abraço!

    #239061

    Nuno Janardo
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    Boas Felipe,

    Sim, a Austrália não é propriamente um “vou ali já venho” em termos de expedições. Daí eu dizer que para haver uma procura séria teria de ser com uma boa base de suporte fossil, para pelo menos saber que os cyprinodontiformes estiveram em tempos lá, senão torna-se numa autêntica caça aos gambusinos (não os poecilideos que esse são piores que formigas num picknick). Teria mesmo de ser algo sério.
    Já vimos o quão complicado tem sido verificar com 100% de certezas que o tilaceno se extinguiu na Tazmania dado o relevo da ilha e multiplos “avistamentos” por caminhantes nas montanhas, quanto mais procurar peixes que tanto podem ter 20cm como 2cm em ribeiras ou em oueds dos quais nem (pelo menos que eu saiba) há registo fossil de eles pelo menos lá terem estado há milhoes de anos?
    A hipotese fica aqui, apenas para que a Austrália não seja tida como um local impossível de haverem killis mas antes de um local onde possivelmente podemos vir a ouvir noticias inovadoras para a nossa área e de que pelo menos houve já um trio de exemplares alegadamente colectados. Atendendo a isto também aproveito para deixar a seguinte ideia: se há a plausibilidade de haverem killis  nativos Austrália, haverá a mesma plausibilidade para outros sitios? (tenho em mente o caso português das ribeiras da serra algarvia, onde, pelo menos em termos de geologia, há a plausibilidade de os Aphanius terem fluido para o nosso lado por ligaçao de ribeiras durante a ultima glaciação)

    Fica mais uma ideia para debate 😉

    Abraço

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