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Caro.
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AutorArtigos
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09/05/2012 às 10:02 #217511
Colocar na natureza uma espécie não nativa é um dos maiores crimes ecológicos passíveis de serem cometidos.
A nível global, o principal fator de perda de biodiversidade em peixes de água doce é provavelmente a introdução de espécies exóticas, à frente da poluição ou mesmo na perda de habitat.
Penso que a introdução de espécies exóticas é comparável a crimes como a propagação deliberada de doenças contagiosas.
É um verdadeiro ato de malvadez ou, pelo menos, de absoluta inconsciencia.
A Peninsula Ibérica tem uma fauna autóctone que é única e que está em desaparecimento acelerado graças a introduções catastróficas de espécies como a perca do sol ou a gambusia que, infelizmente, já quase extingiu o Aphanius iberus.
Existem killies que provavelmente iriam prosperar em Portugal, incluindo o muito prolífero Aphanius mento que até consegue competir com a gambusia ou as espécies anuais da América do Sul.
Porém, a libertação acidental ou deliberada destes peixes é como lançar fósforos para uma floresta: se o fogo pegar a floresta arderá e o que fica é apenas terra queimada, um local cuja fauna única, o resultado de incontáveis milénios de evolução, ficou destruída para sempre.
Miguel
09/05/2012 às 10:18 #233203Concordo plenamente. Nem há espaço para discordar, diga-se.
Na Austrália já tiveram acidentes ecológicos grandes com a introdução de espécies inofensivas e que até trariam supostos benefícios.
Um deles foi com uma rã qualquer que dizimou as outras todas.Também há a história de coelhos numa outra ilha para essas zonas que, sem predadores, deram conta da vegetação quase extinta. Salvo erro foi para a Nova Zelândia.
Abraços.
09/05/2012 às 10:22 #233204Estou plenamente de acordo. Mas acredito que a maioria das vezes as pessoas libertam os peixes sem pensar no que estão a fazer e não por maldade.
Penso que na Austrália foi uma espécie de sapo.
Abraços,
João Assunção09/05/2012 às 13:12 #233205O incidente na Austrália creio que foi com o “Bufo marinus”.
E relativamente á discussão concordo plenamente, cada vez mais fico alarmado com os estragos causados por espécies invasoras, em particular com a gambusia que infelizmente é o peixe que mais vezes vislumbro nas nossas águas.
Pior ainda, tenho notado que se andam a introduzir o alburno em muitas barragens, peixe que a meu ver é extremamente destrutivo, e para alem destas espécies cada vez mais vejo e ouço relatos de lucios-perca e siluros a aparecerem nas nossas águas :-[.Cumprimentos
Miguel Bravo09/05/2012 às 15:08 #233206De ano para ano aparecem, só em Portugal, mais umas quantas espécies invasoras, para desaparecem de vez mais umas quantas espécies locais.
Se nada fizermos para o evitar o problema, a globalização trará a completa descaracterização dos biótipos e a extinção da maioria das espécies que hoje existem.
Qualquer dia iremos ao Brasil e encontraremos Aphyosemions em vez de Rivulus e iremos a Moçambique e encontraremos Austrofundulus em vez de nothos…. mas isso não se faz com qualquer ganho para o ambiente, pelo contrário, origina o desaparecimento de milhares espécies locais, em prol de uma meia-dúzia particularmente invasiva.
Os Aphyosemions devem estar ou nos nossos aquários ou nas suas terras de origem, nas mágicas florestas equatoriais africanas, escondidos em pequenos e escuros cursos de água, onde deparar com eles é uma experiencia quase mistica.
Infelizmente, o mundo está a tornar-se cada vez o domínio uma meia duzia de espécies. É como se o fenómeno das grandes multinacionais se transferisse também para os animais.
Isto torna-se ainda mais dramático no caso de peixes de características tão específicas como os killies. Ainda um dia teremos que descrever aos nossos netos como eram muitas das espécie que atualmente mantemos.
Tenho que tirar mais fotografias.
Miguel
09/05/2012 às 22:01 #233207Exactamente, foi um sapo!
Vi num outro documentário qualquer passado nos USA sobre um peixe altamente predatório que foi introduzido em lagos pelos chineses. Importaram-nos vivos para os terem nos restaurantes, ao fazerem o transporte para um dos restaurantes, escaparam-se uma série deles que foram dar a um lago (com uma história com mais pés e cabeça pelo meio. Se não estou em erro era qualquer coisa snakehead.Estas introduções pelo Homem, seja de peixes, seja do que for, dá quase sempre em catástrofe….
Já agora, alguém sabe a história dos papagaios verdes que andam por Lisboa? Já vi bandos gigantes em Telheiras, perto da Feira da Ladra, Arco Cego (perto do IST) e Alfragide.
Abraço.
09/05/2012 às 22:21 #233208Tiago,
Esses são do jardim zoológico.De vez em quando vem visitar a cidade.
Luis
10/05/2012 às 09:15 #233209Não fazia ideia. Ainda dão umas voltas longas 🙂
Obrigado pela informação.Abraço
10/05/2012 às 17:46 #233210Tenho um sapo desses que invadiu a Austrália, um marinus
Mas creio que cá em Portugal não faria muito estragos…
E será crime se colocarmos uma espécie na Natureza que antes lá existia antes de percas, gambusias e afins? O caso do A. iberus p.ex…10/05/2012 às 20:50 #233211Gonçalo a meu ver se essa espécie autóctone for colocada no habitat onde outrora existiu, e não venha a por em risco as espécies autóctones existentes nesse biótopo que se encontrem com um estatuto particularmente frágil, acho que se pode considerar como uma reintrodução.
Se for esse o caso a meu ver é um acto que deveria ser aplaudido, infelizmente em portugal ainda só ouvi falar de uma ou outra associação de conservação biológica que de facto está a efectuar a reprodução, e libertação de uma ou outra espécie autóctone nas nossas ribeiras e rios.cumprimentos
Miguel Bravo11/05/2012 às 09:15 #233212Gonçalo,
O Aphanius iberus nunca existiu em Portugal e, de qualquer modo, tem 0% de hipoteses de competir com as gambusias.
O único nicho onde o iberus tem conseguido resistir em Espanha é nos estuários e em águas por vezes mais salinas que a própria água do mar. Embora a gambusia também se dê em águas salobras, o iberus consegue suportar melhor o sal. É nestes muito limitados biótipos, onde tem uma ligeira vantagem sobre a gambusia, que o iberus ainda sobrevive.
Mesmo que o iberus tivesse existido em Portugal, não podemos ver as re-introduções sequer ao nível do país, neste caso temos que as ver ao nível da bacia hidrográfica e do curso de água. O iberus só é uma re-introdução quando é libertado exatamente nos mesmos cursos de água ocupados anteriormente pela espécie.
Isto não é um preciosismo, é um garante da preservação da biodiversidade. Por exemplo, se começares a libertar no Rio Minho os verdemãs apanhados no Guadiana, poderás destruir a espécie local de verdemã (provavelmente Cobitis tenia) que é diferente da do Guadiana (Cobitis marrocana). Em Espanha, se não tivermos esses cuidados em re-introduções poderemos destruir ou hibridizar com baeticus… Frequentemente os problemas são muito mais subtis, por exemplo, existirão alevins de peixes locais, como os escalos que terão competição acrescida pelos alimentos, se libertares outra espécie ovipara (com alevins também muito pequenos, comendo o mesmo tipo de zooplancton). Portanto, se introduzires Aphanius podes levar ao declinio de espécies locais. Seres aparentemente inofensivos podem, inesperadamente, destruir todo um biótipo.
De qualquer modo, o iberus nunca seria uma especie invasiva, não teria sucesso em nenhum em rios portugueses onde existam gambusias e elas estão por todo o lado. Pelo contrário, alguns Aphanius turcos, em particular os mento, são perfeitamente capazes de competir com as gambusias: são muito mais resistentes ao frio, toleram salinidades maiores e são altamente proliferos, começando a reproduzir-se mais cedo, logo no final do inverno. Um peixe destes nas nossas águas seria uma nova praga, reduzindo ainda mais a biodiversidade dos rios portugueses.
Miguel
Tenho um sapo desses que invadiu a Austrália, um marinus
Mas creio que cá em Portugal não faria muito estragos…
E será crime se colocarmos uma espécie na Natureza que antes lá existia antes de percas, gambusias e afins? O caso do A. iberus p.ex…11/05/2012 às 10:39 #233213Olá,
Infelizmente em relação às nossas espécie autóctones a situação que se vive neste momento é dramática.
Vi praticamente desaparecer as bogas, com a introdução do achigã e mais tarde da perca sol. Bordalos e escalos, pelo menos nas zonas que eu conheço, são já objectos muito raros.
Entretanto apareceram os lagostins, fervorosos comedores de ovos e o massacre continuou. Introduziu-se o alburne para compensar a falta da boga e ganhou forte vantagem sobre as poucas que existiam.
Entretanto e para compensar chegaram os corvos marinhos que sobem o Tejo, pelo menos até Belver. Nem queiram imaginar a quantidade de peixe que um bando de 40 ou 50 passarões come por dia.
Como se isto não bastasse chegaram os lúcio-percas, já com 10/12 kg e quem anda junto ao Rio Tejo já não vê gambusias ou qualquer outro peixe em crescimento. Para quem não saiba o Lucio-perca pescasse também com carpas pequenas vivas. Proibido, mas pescasse…
Mas a festa continua, hoje temos os siluros que atingem os 130/140 kg e que vão estar entretido nos fundões a dar cabo dos peixes adultos já com uns aninhos.Por isso, meus caros, eu considero que algumas ribeiras, muito poucas, onde ainda se vê uma lontra e se vê os escalos e bordalos a fugir deveriam ser considerados santuários da vida aquática. Vão, fotografem e filmem… os vossos filhos ou netos já não terão essa oportunidade. Infelizmente.
Luis Oliveira
15/05/2012 às 15:31 #233214Olá,
Infelizmente em relação às nossas espécie autóctones a situação que se vive neste momento é dramática.
Vi praticamente desaparecer as bogas, com a introdução do achigã e mais tarde da perca sol. Bordalos e escalos, pelo menos nas zonas que eu conheço, são já objectos muito raros.
Entretanto apareceram os lagostins, fervorosos comedores de ovos e o massacre continuou. Introduziu-se o alburne para compensar a falta da boga e ganhou forte vantagem sobre as poucas que existiam.
Entretanto e para compensar chegaram os corvos marinhos que sobem o Tejo, pelo menos até Belver. Nem queiram imaginar a quantidade de peixe que um bando de 40 ou 50 passarões come por dia.
Como se isto não bastasse chegaram os lúcio-percas, já com 10/12 kg e quem anda junto ao Rio Tejo já não vê gambusias ou qualquer outro peixe em crescimento. Para quem não saiba o Lucio-perca pescasse também com carpas pequenas vivas. Proibido, mas pescasse…
Mas a festa continua, hoje temos os siluros que atingem os 130/140 kg e que vão estar entretido nos fundões a dar cabo dos peixes adultos já com uns aninhos.Por isso, meus caros, eu considero que algumas ribeiras, muito poucas, onde ainda se vê uma lontra e se vê os escalos e bordalos a fugir deveriam ser considerados santuários da vida aquática. Vão, fotografem e filmem… os vossos filhos ou netos já não terão essa oportunidade. Infelizmente.
Luis Oliveira
Boas,
Faço minhas as palavras do caríssimo Luis 😉
Infelizmente, hoje em dia a fauna autóctone enfrenta severos riscos de desaparecer com a introdução, cada vez mais progressiva, de espécies invasoras.
Sendo eu um adepto da pesca desportiva sem captura é com enorme tristeza que vou verificando, a cada ano que passa, o diminuir das povoações em detrimento das espécies invasoras.O caso mais gritante, para mim, é o dos siluros, considerando as dimensões que atingem assim como a sua enorme voracidade.
Por isso, junto-me a vós no alerta ao pessoal que mantenha killies para que não os liberte na natureza pois estará certamente a destruir um ecossistema, seja ele grande ou pequeno.
Um abraço
15/05/2012 às 16:48 #233215Olá,
Infelizmente em relação às nossas espécie autóctones a situação que se vive neste momento é dramática.
Vi praticamente desaparecer as bogas, com a introdução do achigã e mais tarde da perca sol. Bordalos e escalos, pelo menos nas zonas que eu conheço, são já objectos muito raros.
Entretanto apareceram os lagostins, fervorosos comedores de ovos e o massacre continuou. Introduziu-se o alburne para compensar a falta da boga e ganhou forte vantagem sobre as poucas que existiam.
Entretanto e para compensar chegaram os corvos marinhos que sobem o Tejo, pelo menos até Belver. Nem queiram imaginar a quantidade de peixe que um bando de 40 ou 50 passarões come por dia.
Como se isto não bastasse chegaram os lúcio-percas, já com 10/12 kg e quem anda junto ao Rio Tejo já não vê gambusias ou qualquer outro peixe em crescimento. Para quem não saiba o Lucio-perca pescasse também com carpas pequenas vivas. Proibido, mas pescasse…
Mas a festa continua, hoje temos os siluros que atingem os 130/140 kg e que vão estar entretido nos fundões a dar cabo dos peixes adultos já com uns aninhos.Por isso, meus caros, eu considero que algumas ribeiras, muito poucas, onde ainda se vê uma lontra e se vê os escalos e bordalos a fugir deveriam ser considerados santuários da vida aquática. Vão, fotografem e filmem… os vossos filhos ou netos já não terão essa oportunidade. Infelizmente.
Luis Oliveira
E não fica por aí, porque em algumas massas de água, começam a aparecer os lúcios mesmo, que são predadores ainda mais vorazes.
Os achigãs vão desaparecendo cada vez mais.17/05/2012 às 13:56 #233216Juntem a isso tudo a construção desenfreada de barragens e está feito o Chocapic…
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