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Códigos

Artigo publicado no Boletim da Associação Portuguesa de Killifilia Vol. V, nº1 Jan./Fev. 2003
 

Por: Vasco Gomes

Qualquer recém chegado à killifilia se depara com algo estranho, desconhecido e aparentemente desnecessário: os códigos que por vezes surgem à frente do nome específico do peixe. Como mais à frente se verá, estes códigos têm um propósito bem definido e de modo algum inútil.

Um dos objectivos básicos de qualquer killiófilo é a manutenção de espécies e populações puras. Para isso é fundamental a correcta identificação dos peixes capturados na natureza, a descrição do local exacto de captura bem como algo que facilmente diferencie um local de captura de outro. Fundamental é também a subsequente transmissão desses dados à sua descendência em cativeiro que, idealmente, será difundida por outros criadores de killies. Na impossibilidade prática de colar ao nome específico do peixe todos os dados acima referidos, tornou-se imprescindível adoptar um sistema que identifique com clareza os locais de captura bem como permita a sua difusão generalizada. É neste contexto que surgem os códigos que, de um modo geral e simplista, são sinónimo de população.

Se quanto ao objectivo dos códigos e sua utilidade não restam dúvidas, já quanto à forma que tomam não existe o mesmo consenso. Na falta de um organismo internacional que regule sobre esta matéria, têm sido os promotores das expedições de captura - individuais ou colectivos - a atribuir códigos a cada local explorado.

O sistema geralmente utilizado consiste num código alfanumérico cuja composição mais frequente é a seguinte:

1 - Letras maiúsculas - em regra entre 1 e 4 - que representam as iniciais do país de captura e/ou dos indivíduos participantes na expedição.

2 – Os dois últimos algarismos do ano em que se realizou a expedição (99 para 1999, 00 para 2000, etc.).

3 - Um a três algarismos indicativos do local de captura. São números sequenciais atribuídos pelos colectores aos locais onde foram recolhidos peixes selvagens. Regra geral estes locais encontram-se descritos com maior ou menor detalhe em artigos apresentados em publicações da especialidade.

Como exemplo temos o código GEB 94/21 em que:

1 - GEB são as iniciais de Gabão (país de captura), Eberl e Blum (Wolfgang E. e Thomas B., colectores).

2 - 1994, ano da expedição.

3 - 21, vigésimo primeiro local onde foram capturados exemplares selvagens no decurso desta expedição.

Infelizmente estas regras estão longe de ser consensuais e são mais correntes nas expedições efectuadas na África Ocidental, área geográfica até hoje mais explorada por aficionados de killifilia. Às viagens realizadas na África Oriental é mais comum não incluir no código as iniciais dos colectores optando-se apenas pelas iniciais dos países. Independentemente da forma, o mais importante é que cada código seja único e que se mantenha inalterado.

No cumprimento da regra de manutenção de populações puras, é prática corrente não cruzar peixes com códigos diferentes mesmo que pertencentes, sem margem para dúvida, à mesma espécie. São disso exemplo os Aphyosemion primigenium GEB 94/21 e os Aphyosemion primigenium GJS 00/18. A observação das fotografias permite-nos verificar que são praticamente idênticos. No entanto pertencem a populações diferentes pelo que devem ser mantidos em separado e nunca cruzados. Excluem-se os casos em que dois ou mais códigos se referem ao mesmo local de captura (isto é, mesma população). Acontece, por exemplo, com os Nothobranchius kirki Chilwa em que os códigos MW 88/10, MW 91/11 e MW 94/5 foram atribuídos ao mesmo local em expedições diferentes. Nestas situações os colectores regressam a um local anteriormente explorado, atribuem o código correspondente à nova expedição e associam-no ao código mais antigo.

São frequentes os erros na transmissão de códigos de criador para criador. Alguma falta de rigor, dificuldade de leitura de letras manuscritas e caracteres apagados ou manchados por água são as causas mais comuns. A melhor maneira de verificar se um código está incorrecto é compará-lo com a lista de códigos atribuídos e respectivas espécies que lhe estão associadas. Por exemplo, se lhe chegar às mãos um casal identificado como A. primigenium PEG 94/21 pode ter a certeza que algo está errado pois esse código apenas foi atribuído à espécie Aphyosemion herzogi. Nos casos em que não é possível um esclarecimento absoluto da origem do erro é preferível abandonar o código - e passar a distribuir a espécie como estirpe de aquário - do que perpetuar um equívoco. Poderá consultar a maior parte dessas listas em http://www.vascogomes.net.

Por vezes circulam no hobby códigos do tipo CI/ano ou C/ano. Estes códigos referem-se a importações comerciais e destinam-se apenas a manter um certo controlo sobre a origem dos peixes. Não estando ligados a qualquer discrição dos locais de captura – por vezes absolutamente desconhecidos – não têm a mesma utilidade dos códigos a que se refere este texto e não devem ser encarados da mesma forma.

De notar que um peixe não vale menos por não possuir um código - apesar de muitos ditos "criadores/comerciantes" abusivamente se fazerem pagar por isso. O peixe continua a ser merecedor de toda a nossa atenção e cuidado. Apenas nunca será possível termos certezas acerca da sua origem precisa.

Muitas expedições de captura foram efectuadas sem que lhes tivessem sido atribuídos códigos, particularmente antes da segunda metade da década de 70. Para uma listagem mais completa das muitas expedições realizadas recomenda-se a consulta do livro "Wild Collections of Killifish, 1950-2000", editado e compilado por Roger W. Langton.

 

Vasco Gomes

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