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Química da Água IV - Salinidade e conductividade

Artigo publicado no Boletim da Associação Portuguesa de Killifilia Vol. I, nº4 Jul./Ago. 1999
 

Por: Luis Sousa

 

Nas secções anteriores já foi abordada a existência de sais dissolvidos na água, particularmente os sais de cálcio e magnésio, que contribuem para a dureza da água. Contudo, para além destes, existem muitos outros compostos dissolvidos na água, e que não são “contabilizados” na dureza. Assim, por exemplo, uma das substâncias que normalmente também contribui para a salinidade de uma água é o cloreto de sódio, o vulgar sal de cozinha. O cloreto de sódio é muitas vezes utilizado por nós, aquarófilos, como medida de controlo/erradicação de parasitas, como por exemplo o Oodinium nos Nothobranchius, já que estes ciprinidontídeos toleram com facilidade concentrações elevadas de sal, contrariamente ao parasita. Contudo, muitos outros peixes são absolutamente intolerantes em relação ao cloreto de sódio.
 
A salinidade pode-se exprimir em mg/l, o que nos dá a massa total de sais (em mg) dissolvidos por litro de água.
 
No entanto, normalmente os aquariófilos nãose referem directamente à concentração de sais numa água reportando-se à salinidade mas sim através da conductividade (“facilidade” de condução de corrente eléctrica), medida em mS/cm2 (micro-Siemens por centímetro quadrado). A conductividade é facilmente medível, com recurso a instrumentação especial.
A associação é simples: genericamente poderemos considerar um sal como sendo uma substância constituída por iões positivos (cálcio, magnésio, sódio, potássio, ...) e negativos (carbonato, bicarbonato, cloreto, nitrato, sulfato, ...) que em geral se separam, até certo ponto, ao se dissolverem em água. Essas partículas com carga eléctrica (positiva ou negativa) vão permitir a passagem da corrente eléctrica pela água. Deste modo, quanto maior for a quantidade de iões de uma água (maior salinidade), maior vai ser a sua conductividade. Apesar disso, esta relação não é linear, já que diferentes sais (diferentes iões) vão conduzir a corrente eléctrica de forma desigual. Pode-se no entanto estabelecer uma relação aproximada. Por exemplo, se considerarmos que uma conductividade de 100 mS/cm2 corresponde a uma salinidade de 50 mg/l, então, e relembrando o que foi exposto na secção 2 deste artigo (Dureza), vemos que uma água macia terá uma conductividade entre 0 e 200 mS/cm2, enquanto que uma água dura poderá passar dos 600 mS/cm2. Relembre-se, mais uma vez, que não é apenas a dureza que contribui para a conductividade.
 
Ao adicionarmos sal de cozinha (cloreto de sódio) à água do aquário estaremos a aumentar (e muito) a conductividade, mas deixamos a dureza inalterada.
 
CONCLUSÃO
 
Na maioria dos casos, os parâmetros da composição química da água analisados ao longo destas quatro secções estão intimamente relacionados. Uma água de elevado pH é em geral uma água dura, logo com uma salinidade e conductividade elevadas; do mesmo modo uma água macia tem em geral um pH baixo e uma conductividade reduzida. Apenas o ciclo do azoto não terá uma relação tão directa, mas não nos podemos esquecer que o desenvolvimento das bactérias que o constituem está intimamente relacionado com o pH. Assim, ao alterarmos um dos parâmetros analizados estamos muito provavelmente a interferir com os outros.
 
Voltando ao início deste artigo há que, mais uma vez, salientar que, mais do que propiciar uma boa água aos nossos peixes, de acordo com as características a que estão habituados nos seus habitats, devemos evitar que ela se deteriore. É muito mais fácil a um peixe habituar-se, gradualmente, a uma água com um pH ou uma dureza diferentes daquela onde originalmente viveria, do que suportar um acumular de toxinas resultantes do seu próprio metabolismo ou da decomposição de alimentos e restos vegetais. As mudanças graduais de água poderão não proporcionar as características químicas ideais mas por outro lado permitem obter uma estabilidade na composição da água que é, na maioria das vezes, mais importante. Como em toda a regra há excepção, também neste caso existem alguns killies muito sensíveis a mudanças de água pelo que estas deverão ser muito ligeiras ou, preferivelmente (para os afortunados que o poderem fazer) usando um sistema gota a gota.
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